A primeira impressão não é a que fica

De um lado: “Você não tem tempo pra mim, só quer saber da empresa” – “A louca da sua mãe que colocou isso na sua cabeça, tenho certeza”. Do outro: “Meu amor, coma os mexilhões todos do seu prato. Você é um homem de dois metros de altura, precisa de energia pra se manter de pé”. Foi no meio dessas duas improváveis conversas que a experiência no Tappo Trattoria começou. As mesas estão em uma distância que me incomoda. Por que eu sou daquelas que necessariamente presta atenção no contexto dos vizinhos (o prato, o vinho, a conversa…). Quanto mais perto a mesa, maior o conflito interno entre dar atenção ao namorado e tentar descobrir qual o prato dos mexilhões que pareceu tão apetitoso. Não que eu seja fofoqueira. Sou observadora. É diferente.

Mas vamos às vias de fato, o cardápio. Estávamos na dúvida entre três entradas. Todas pareciam incríveis. Escolhemos um lagarto de vitela frio e atum selado com creme de alcaparras. Chegou à mesa um carpaccio. Chamei o garçom pra falar do erro. Foi quando ele disse que o prato era aquele mesmo. Oi? E o atum selado? Está batido junto com as alcaparras, disse o rapaz. Frustrações a parte (me emociono quando vejo um atum fresco com aquela cor de goiabada), o carpaccio prato estava gostoso, mas acho que o cardápio deveria ser mais claro na sua descrição. Se soubesse que transformariam o atum num creme, teria optado pela moela confitada com uvas verdes, flambada na grappa. Mais emocionante, né?!

Como naquela noite, antes do jantar tinha ido na exposição do Castelo Rá-Tim-Bum (INCRÍVEL! Com letras garrafais mesmo. Quem era fã do programa, vale a visita) e estava feliz com as lembranças da minha infância (ok! quase adolescência) bem vivas na memória, que não quis deixar os episódios descritos acima tirarem o bom humor. E valeu a pena. Porque quando os principais chegaram, compensou qualquer coisa. A Costela assada ao vinho tinto soltava só de passar o garfo de leve. Ainda vinha acompanhada de risoto de açafrão de verdade. Porque se tem uma coisa que é um verdadeiro horror são esses pseudos risotos, que de açafrão mesmo só tem o amarelo. Pedimos também o Linguini com lagosta e tomates frescos. {…} Esse merece uma pausa dramática. Tanto pela beleza do prato quanto pelo seu sabor. Massa gostosa, molho de tomate super fresco e a lagosta exatamente no ponto entre o tenro e o macio.

Voltarei pra provar os outros carro-chefe da casa, o Ravioli de carne com manteiga de trufas e o Carbonara legítimo, com gema crua em cima.

Como no fim das contas – literalmente! – não importa se eu comi só salada ou um boi inteiro, o meu compartimento doce sempre estará lá à disposição. Então, antes de ir embora, experimentamos a Panacota com fava de baunilha e a Cheese Cake de queijo de cabra e frutas vermelhas. Imperdíveis! Vale ressaltar: a baunilha também é de verdade, e o sabor da cheese cake é super suave mesmo tendo na receita o queijo de cabra que é mais forte.

Se colocar na balança, dando uma afastadinha nas mesas e deixando o cardápio mais claro, o Tappo merece ser visitado muitas outras vezes.

Instagram: @rodolfodesantis (o chef da casa)

Endereço: R. da Consolação, 2967 – Consolação São Paulo/SP

Tel: (11)3063-4864

 

Assinatura_Barbara2

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