O universo paralelo dos japas

Primeiro texto de 2015 e como quero pra esse ano abundância, prosperidade e dinheiro, fingi que já sou rica e fui num japonês considerado um dos melhores de São Paulo. Mais do que conhecer a casa, esse jantar serviu para me mostrar algo que eu não sei se vocês já sabiam, mas que existe um universo paralelo entre os restaurantes japoneses. Sim, e nele as pessoas não sabem o que significa hashi, cream cheese, hot ou combinado. O hábito de molhar o peixe no shoyu também é desconhecido.  E se você quiser ser atendido como alguém de respeito, sente no balcão. Aprendi essas regras básicas quando adentrei o Aya.

Há um tempo, decidi que quando tivesse coragem tempo iria a um bom japonês, que fosse fiel à cozinha oriental (sem essas invencionices brasileiras) e que também fosse além dos básicos salmão e atum. Fui felicíssima na minha escolha. O Aya passa longe de ser um mero jantar. Foi uma das melhores experiências gastronômicas da vida.

Escolhi o Omakasse Especial (menu degustação selecionado pelo chef) que tem entrada, 15 sushis, dois pratos quentes e sobremesa. E poderia vir acompanhado de uma queima de fogos e uma orquestra sinfônica. Cada sushi que o chef (e dono do restô, além de ex-Jun Sakamoto) Juraci colocava a minha frente era quase uma obra prima de tão perfeito e delicioso. Vez ou outra ele dava uma pincelada de shoyu quando terminava de montar uma peça. E pronto. Colocava na minha frente, pra ser comida com a mão mesmo.

Nesse ritmo vieram coisas como anchovas negras, lula com sal vulcânico, atum maçaricado com foie gras, salmão do Alaska na pedra de sal, olhete, vieira, carapau, toro (atum gordo que é completamente diferente do atum que estamos acostumados), ovo à milanesa com ovas de salmão, flor de sal e azeite trufado. Tudo com um sabor mais inusitado que o outro.

Diante de um preparo tão cuidadoso, fica claro que a maioria dos japoneses que tem por ai, não passam de uns fast foods de sushis. Produzem em larga escala e exatamente por isso optam pelo mais barato, pela onipresença do salmão, pelo peixe congelado, o arroz de pouca qualidade e os rodízios entupidos de frituras. Por isso que, às vezes, vale a pena (principalmente no início do mês, depois que o salário bate na conta!!) investir num restaurante mais bacana e que você sabe que tem qualidade do atendimento à comida. No caso do Aya, a dica é ir as segundas, que esse Omakasse aí de cima sai com um super desconto.

O problema é que o ser humano se acostuma com o que é bom ne?! Veja meu caso, que desde então involuntariamente tenho vontades súbitas de comer (qualquer coisa que seja) com um leve toque de azeite trufado. Mas aí eu acordo e lembro que sou uma jovem trabalhadora brasileira, que a tarifa do metrô subiu e minha faxineira pediu um aumento. Eita vida dura!

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Assinatura_Barbara2

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