Aquele de última hora que deu certo

Em homenagem a esse momento maravilhoso pelo qual São Paulo está passando com a falta d’água, resolvi almoçar, dia desses, num restaurante em plena Serra da Cantareira. Ok, piadas a parte, de fato, fui até o ex-berço hídrico da cidade em busca de um restaurante português que muito já tinha ouvido falar.

Na verdade mesmo, vou começar essa história do início. Era domingo e tinha programado que depois do passeio de balão (Sim!! Em São Paulo tem e é muito legal) iria almoçar no Mocotó, um restaurante super tradicional de comida regional. A fama que corre solta é que aos fins de semana o lugar sempre lota, mas eu nunca imaginaria que nessa primeira tentativa de conhecê-lo teria que esperar 2h30 numa fila no sol.

Bom, colocando na balança, não faria muito sentido, uma pessoa que passou 20 anos da sua vida no Nordeste, comendo o que há de melhor no que se refere a baião de dois, carne de sol e sarapatel, esperar esse tempo todo pra provar iguarias do gênero.

Daí que nesse meio tempo, lembrei do Ora Pois, o tal português da Cantareira (e que tem ainda mais duas casas em São Paulo. Uma em Guarulhos e outra na Vila Madalena) e me animei com a possibilidade daquilo que poderia encontrar no meio do caminho: muito verde, cheiro de mato e clima gostoso. Essas coisas que deixam qualquer habitué da “concrete jungle” se sentindo no paraíso.

No entanto, o melhor não foi a subida. Cheguei decidida a comer bacalhau (surpreendente para um restaurante português, não?!) e acabei experimentando o bacalhau mais molhado e suculento dessa vida. Por que esse é um tipo de peixe que normalmente é mais sequinho né?! Só que o Bacalhau a Fanhais (postas curtidas no alho e azeite com brócolis, batata ao murro e arroz), pelo fato dessa curtida no azeite, fica com um gosto maravilhoso, suave e uma textura que eu nunca tinha sentido. E olha que cresci comendo o Bacalhau da minha avó, que sempre foi o mais imbatível do mundo.

Fora isso, o atendimento foi super rápido e cordial, o que pra mim conta muitos (muitos!!) pontos. O preço também é bem honesto. Dentre os pratos com o típico peixe português, o mais caro custa R$70 e serve duas pessoas. A decepção ficou por conta do pastel de nata, com massa bem seca e sem gosto, mas daí a querer a qualidade dos originais de Belém, eu sei que é pedir demais.

No fim das contas, ainda quero conhecer o Mocotó, mas fiquei muito feliz com o sucesso da escolha de última hora.

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