Pode um lugar ser bom em tudo?

A primeira vez que eu comi um ceviche morava em Madrid em julho de 2010. Quem conhece a cidade nessa época sabe como a temperatura é agradável, a brisa fresca, uma delícia! #SOQUENÃO A capital espanhola vira uma sucursal do inferno e você não consegue se alimentar com nada que esteja, no máximo, morno. Então, uma amiga querida, chefe de cozinha, um dia prepara esse prato tipicamente latino, com peixe que “cozinha” no limão e tem um sabor marcante, meio cítrico, meio apimentado, e eu me apaixono perdida e irreversivelmente por ele.

Daí em diante, falou em ceviche eu ligo as antenas, apuro o faro, e vou atrás experimentar. Alguns dos melhores que comi foi em Jericoacoara, feito da forma clássica, acompanhado de batata doce cozida. Outra vez, no Chile, experimentei um tão bom que almocei duas vezes o mesmo prato. Que dava pra dividir pra dois. Estava com alguma fome nesse dia.

Aí a pessoa se muda pra São Paulo e é claro que aqui ela vai procurar algum lugar para aplacar o desejo eterno por ceviches. Não foi difícil encontrar. Com o Suri foi amor à primeira vista. Até porque a grande estrela do cardápio são eles. Onze tipos, do clássico ao que acompanha molho de tamarindo. Todos que experimentei até agora são muito bons. Mas se é pra indicar alguns, o Tierra y Mar, com atum em cubos, sour cream, tomate cereja, cebolinha, coentro e bacon crocante; e o De la Casa, com camarão, lula e salmão, emulsão de abacate, leite de coco, cebola roxa e coentro, são especialmente deliciosos.

Outro ponto para o Suri é a versatilidade do cardápio, que surpreende quando oferece, por exemplo, uma rabada com tabasco, mandioca cozida e farofa de banana, num ponto de derreter na boca. As entradas La Plata (Lula grelhada, recheada de quinoa, aji amarillo com geléia de maracujá levemente picante) e Picadito Playero (Banana da Terra crocante com ceviche de atum, gengibre, sriracha, sweet chilli, cebola e coentro), dá vontade de ficar só nelas, revezando entre uma e outra.

Na verdade, é difícil escrever sobre um restaurante que, pelo menos pra mim, se destaca em quase tudo. Falo isso porque a coquetelaria deles é das melhores que já provei. O Pisco vem em várias versões, mas as criações da casa falam por si só. O barman prepara tudo com tanta concentração e esmero, como se tivesse num universo paralelo só ele e as bebidas, mesmo estando ali no meio do balcão de uma casa que está sempre bem cheia. Estando lá, não deixe (em nenhuma hipótese!) de experimentar o Little Bird, com physalis e pimenta rosa.

O chef e sócio, o colombiano Dagoberto Torres, estava presente em todas as vezes que estive por lá. Atrás do balcão, ele comanda a equipe, prepara os pratos, acompanha os pedidos e eu acredito muito naquele ditado que o olho do dono é que engorda o gado. O Suri é bem cuidado e o cliente sente isso nos pequenos detalhes.

Suri Ceviche Bar

Rua Matheus Grou, 488 – Pinheiros – São Paulo
(11) 3034-1763

IG: @suricevichebar / @dagobertotorres

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